sexta-feira, 18 de dezembro de 2015

Chocolate quente com especiarias e whisky


Chegou o Natal, e a azáfama típica da época. Este ano tenho feito as coisas de maneira diferente. Ainda não fiz nenhuma lista: nem das pessoas a quem vou oferecer presentes, do que quero cozinhar, ou dos ingredientes para comprar. Tenho andado ao sabor do vento quente que se faz sentir lá fora, sem estar presa às amarras das listas e listinhas que fiz ao longo dos últimos anos. E, estranhamente, tem corrido tudo bem! Debaixo da minha árvore já há presentes para todos os filhos e filhas das amigas, para os primos e primas, para os pais, para os tios e tias, e nos armários já há frascos e frasquinhos recheados de coisas boas feitas em casa para as amigas e amigos. Há também diversas tabletes de chocolate, alguns kilos de açúcar e farinha, e muitos saquinhos de frutos secos que, mais tarde, originarão bolinhos e bolachinhas de Natal. Também há papel de embrulho, fita cola, fitas e autocolantes de Natal em todas as superfícies planas da sala, da mesa às cadeiras e aparador. Há cd's de Natal a tocar na aparelhagem, e vídeos do youtube das músicas de Natal que fizeram furor nos anos 80, e que adoro revisitar, a passar incessantemente no computador. 
O Natal está mesmo à porta. E eu gosto tanto! Gosto tanto desta época do ano! Para mim, a quadra natalícia é mágica. Não é só a véspera de Natal e o dia de Natal, mas, especialmente, os dias que o antecedem, em que sente essa magia no ar. E como o chocolate também é mágico, aqui fica uma sugestão de um chocolate quente apropriado para a época, perfumado com o calor das especiarias e do whisky. 
FELIZ NATAL!

Usei:

100 gr de chocolate preto para culinária com 50% de cacau
uma colher de sopa de cacau magro em pó
duas colheres de sopa de amido de milho
metade de uma lata de leite condensado magro
um pau de canela
uma chávena de chá de leite de amêndoa
uma pitada de noz moscada em pó
uma pitada de gengibre em pó
uma pitada de cravinho em pó
duas colheres de sopa de whisky
açúcar dourado


Fiz assim:

Numa caçarola, misturei o cacau com o amido de milho, e dissolvi-os no leite de amêndoa. Levei a caçarola a lume brando. Adicionei o leite condensado, o pau d ecanela e o chocolate, partido em quadradinhos. Mexi com uma colher de pau até que o chocolate derretesse e a mistura engrosasse. Quando começou a espessar, adicionei o whisky e as especiarias. Mexi bem, até obter um chocolate quente cremoso, espesso, liso e brilhante. Tranferi a mistura para chávenas pequenas, polvilhei com açúcar dourado, e servi magia em colheres pequeninas, para ser melhor saboreada.

FELIZ NATAL!









domingo, 25 de outubro de 2015

Biscoitos de Grão com Amendoim e "Nutella"




Na semana passada vi estes biscoitos, na página de Facebook do blog "Ratatui dos Pobres". O seu aspecto irresistível captou, desde logo, a minha atenção. Decidi, naquele momento, que aquele seria o docinho a fazer no fim de semana. Hoje acordei determinada a cumprir esse desejo. Todavia, quando abri o frigorífico para de lá retirar o frasco da manteiga de amendoim e o grão que havia cozido ontem, encontrei um frasco de creme de cacau e avelãs, muito semelhante à Nutella, mas de uma marca branca. Dos 750 gr deste creme, sobravam agora cerca de 150. Não pensei duas vezes: em vez de cortar quadrados de chocolate negro em pequenos pedaços, para se assimilarem às pepitas que a receita original requeria, incorporaria aquele creme de chocolate e avelãs na massa! 
E assim fiz. O resultado? Uns biscoitos crocantes por fora, mas macios e húmidos por dentro. O sabor a cacau e avelã é intenso, embora também se sinta o aroma do amendoim. Do grão é que não se sente nenhum sabor. Gostamos muito, e será, sem dúvida, uma receita para repetir!

Usei:

370 gr de grão de bico cozido e bem escorrido
200 gr de manteiga de amendoim
150 gr de creme de cacau e avelãs
1 colher de chá de fermento em pó
1 colher de chá de aroma de baunilha
1 colher de sopa de geleia de espelta


Fiz assim:

Pré-aqueci o forno a 180º. Triturei o grão no processador de cozinha, até obter uma pasta cremosa. Adicionei os restantes ingredientes, e voltei a triturar, até que todos os ingredientes se misturassem. Moldei pequenas bolinhas com a massa obtida, e coloquei-as em tabuleiros de forno forrados com papel vegetal. Com estas quantidades, obtive bolinhas suficientes para ocupar dois tabuleiros. Levei ao forno, que reduzi para os 150º, com a função ventoinha ligada, e deixei que assassem durante 15 minutos. Entretanto, fiz uma cafeteira de café que, em conjunto com estes bolinhos, está a fazer-nos companhia no sofá, enquanto seguimos os jogos de futebol deste domingo. :)

Bom domingo!





domingo, 11 de outubro de 2015

Pão de Sementes e Alfarroba




Domingo de Outono com chuva? É muito fácil decidir, logo pela manhã, qual será o roteiro domingueiro de um dia com estas características: cozinhar muito! Preparar algumas iguarias que facilitem a vida nos dias de semana.  E, claro, descansar. Ficar em casa. Apreciar o conforto do sofá, de uma chávena de chá, de um livro na mão, de dois gatos aos pés. 
Fez-se o assado de domingo (um gratinado de brócolos com salmão, que mais tarde irá aparecer por aqui), um pão doce de banana e côco (querem a receita, não é? Pois descansem, que ela também cá virá parar! :), e um refogado de couve com feijão vermelho. E estes pãezinhos de sementes com alfarroba, que são muito saborosos. Parecem de chocolate, mas não são. Todavia, houve quem pensasse que sim, e gostasse! ;)
Bom domingo!

Usei:

Uma embalagem de mistura de pão com sementes, da marca Pingo Doce
Duas colheres de sopa de óleo de côco
300 ml de água fria
50 gr de farinha de alfarroba
Meia colher de chá de sal
Uma colher de sopa de adoçante
Uma colher de sopa de flocos de aveia finos (opcional)


Fiz assim:

Pré-aqueci o forno a 200º. Coloquei o preparado para pão na taça da batedeira. Juntei-lhe a farinha de alfarroba, o sal, o adoçante, o óleo e a água. Liguei a batedeira e bati, até que todos os ingredientes ficassem bem ligados. Cobri a taça com um pano, e deixei a massa a levedar durante uma hora. Findo esse tempo, e apesar de a minha massa não ter crescido, moldei 8 pequenos pães. Forrei um tabuleiro com um tapete de silicone, e sobre ele coloquei os pãezinhos. Polvilhei-os com flocos de aveia, e levei ao forno, durante 25 minutos. 
Como a massa não cresceu, receei que os pães não crescessem no forno, ou que não ficassem bons. E, efectivamente, no forno pouco cresceram. Mas nada tinha a recear em relação ao sabor e à textura: ficaram fofos, escurinhos por causa da alfarroba, com um toque adocicado, sem serem doces. Sem dúvida, uma experiência a repetir. Na próxima vez, colocarei uma saqueta de fermento para pão, para ver se a massa leveda melhor.



sexta-feira, 18 de setembro de 2015

Papas de Aveia com Mirtilos, Limão e Leite de Amêndoa




Na minha opinião, as papas de aveia não são propriamente bonitas. Todavia, o seu aspecto pouco apelativo contrasta com o seu elevado valor nutricional. Há muitas formas de variar a confecção destas papas, e algumas são verdadeiramente deliciosas! Esta é uma das minhas versões preferidas: com casca de limão, mirtilos, canela e leite de amêndoa.
Está servido o pequeno-almoço. Bom dia!


Usei:

Meia chávena de flocos de aveia integrais finos
2/3 da chávena de leite de amêndoa
12 mirtilos
uma casca de limão
um pequeno pau de canela
umas pedrinhas de sal marinho
canela em pó para polvilhar
uma colher de chá de golden syrup


Fiz assim:

Comecei por juntar a aveia ao leite de amêndoa, os mirtilos, o pau de canela e a casca de limão. Adicionei algumas (muito poucas!) pedrinhas de sal marinho, e levei esta mistura a lume brando. Deixei cozinhar, mexendo de vez em quando, até que a aveia ficasse macia, começasse a engrossar e tivesse absorvido o leite de amêndoa. Este processo é muito rápido, demora menos de 5 minutos. Depois foi só retirar o pau de canela e a casca de limão, colocar as papas numa taça, juntar um pouco de golden syrup (ou mel, ou geleia de arroz, ou xarope de agave... as opções são múltiplas!), polvilhar com canela, e servir. E sabe tão bem! 


quinta-feira, 17 de setembro de 2015

Tortilha de Curgete com Pimentos e Queijo de Cabra





Estamos nos últimos dias de Verão, e à porta está a minha estação do ano favorita, o Outono. A chuva que cai desde 3f e as temperaturas baixas que se fazem sentir dão início ao surgimento das primeiras memórias de Outonos passados que, para mim, são tão doces: as diversas cores das folhas que forram as árvores, as castanhas assadas, o doce de abóbora, os filmes de domingo à tarde, acompanhados de chá quente e uma fatia de bolo. Tão bom!
Mas ainda é Verão (embora não pareça nada...), e esta tortilha foi feita com ingredientes da época, vindos do quintal da mãe: curgete e pimentos.


Usei:

4 ovos caseiros
1 curgete média
meio pimento vermelho previamente assado (usei metade que tinha de sobra de outra refeição)
4 rodelas de queijo de cabra
meia pacote de natas de soja pequeno
azeite
um grande dente de alho
sal e pimenta preta
orégãos


Fiz assim:

Descasquei o alho, piquei-o e alourei-o numa frigideira de cerâmica, revestida com um fio de azeite. Entretanto lavei as curgete e cortei-a em fatias finas. Juntei ao refogado de alho, temperei de sal e pimenta, e deixei cozinhar até que a curgete amolecesse e ficasse quase translúcida. Enquanto a curgete cozinhava bati os ovos com as natas e temperei esta mistura com sal e pimenta. Acrescentei o pimento à curgete, e cobri com a mistura de ovos e natas. Juntei as rodelas de queijo de cabra e polvilhei com orégãos. Quando os ovos começaram a borbulhar tapei a frigideira com uma tampa de vidro e deixei cozinhar, em lume brando, até que os solidificassem e o queijo derretesse. 
Servi com arroz thai de açafrão, cardamomo e cravinho, e uma salada de tomate (os tomates também vieram do quintal da mãe, biológicos e muito saborosos!) e orégãos de Aljezur, que são os mais perfumados que conheço. :)







segunda-feira, 10 de agosto de 2015

Gelado "natura" de morango e banana



É Verão, tempo de calor e de receitas leves e frescas para contrabalançar a canícula. Certo? Nem sempre! :) No Porto, as temperaturas raramente acompanham o calor o calor que se faz sentir no resto do país, e frequentemente comento isso mesmo com amigos e família, quando me dizem coisas como "amanhã será o dia mais quente do ano!", ou "nesta semana as temperaturas estarão sempre acima dos 30º!". A minha resposta varia entre o "isso é no resto do país, nós somos uma excepção", ou "nós não vivemos no mesmo país!". É que, apesar de não ser a maior amante de praia e de calor, também gostava, de vez em quando, de poder ir à praia sem me preocupar com o vento, de ir passear à noite sem casaco, ou de ter um Verão em que a temperatura média supere os 23º. Mas eu vivo no Porto... E não há prós sem contras! :) Todavia, não é isso que me impede de fazer as tais receitas leves de que falava no início do texto, ou sobremesas de Verão, como este gelado, feito apenas com fruta e iogurte, e para o qual encontrei inspiração aqui. 


Usei:

Uma banana madura congelada (congelei com casca, descasquei antes de usar)
500 gr de morangos lavados, cortados em pedaços e congelados
2 iogurtes gregos de morango
1 pitada de canela em pó
Mirtilos e cerejas para servir com o gelado

Fiz assim:

Retirei os morangos e a banana do congelador cerca de 20 minutos antes de usá-los, para ficarem mais maleáveis. Coloquei-os no robot de cozinha, juntamente com o iogurte e a canela,e fui triturando até obter um preparado cremoso e sem grumos. Coloquei numa caixa hermética, e levei ao congelador. 
Para servir, recomendo que se retire do congelador uns minutos antes, pois depois de congelar o gelado fica bastante sólido e difícil de manusear. De resto, nada a apontar como defeito, é um gelado muito simples de se fazer, com um sabor intenso a fruta, e muito cremoso. Servi com mirtilos e cerejas, e gostei bastante do resultado! 

Está então servida a sobremesa, que cheira e sabe a morangos e a Verão. Se os puderem colher, tanto melhor... Strawberry Fields Forever!







sexta-feira, 7 de agosto de 2015

De volta! :)

Há mais de dois meses que não publicava nada aqui. Mais de dois meses sem ter grande vontade de fazê-lo. Não quer dizer que não tenha cozinhado durante todo este tempo. É claro que cozinhei, por vezes coisas mais interessantes, e outras mais apressadas, consoante o tempo livre, a (boa) disposição e o sabor dos dias. 
O fim de cada semestre lectivo é sinónimo de muitas horas de trabalho, de muito stress, de muita ansiedade. Cozinhar e escrever no blog costumam ser formas de escape. Porém, no final deste ano lectivo dei por mim a querer fazer outras coisas que não implicassem estar tão ligada ao computador e à internet. Talvez porque grande parte do trabalho que faço implica as duas coisas. E também porque me pus a pensar que este blog não faz diferença nenhuma no meio de tantos e magníficos blogs de culinária. Convenhamos que não sou nenhuma rainha da fotografia, portanto, raramente publico receitas com fotos de jeito. E os pratos que confecciono não são elaborados, não são vistosos, não é comida de chef. E tudo isso fez-me pensar se faria sentido manter este blog. A conclusão a que cheguei é que criei o blog porque gosto de cozinhar, e gosto de partilhar o que cozinho. E, nesse espírito de partilha, decidi continuar por aqui. 
Com o que se pode contar neste blog, depois desta reflexão? No fundo, com o mesmo de sempre: as mesmas fotos de qualidade duvidosa, publicações ao ritmo que me for possível, muito chocolate, alguma pimenta, e, claro, a música. Sempre a comida e a música. Afinal, são dois dos meus maiores prazeres!

Oh, meu querido "Pimenta e Chocolate"... "I Should Live In Salt For Leaving You Behind". 
But I´m back! :)